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Adulto: Em Nome do Filho

EM NOME DO FILHO
Lino de Albergaria
Editora Scriptum
Romance
14 x 22,5 cm – 96 páginas
4ª edição – 2012

Texto finalista da Bienal Nestlé de Literatura

Sinopse:

Em Nome do Filho é um texto que sai sutilmente de outros textos. A epígrafe, um poema conhecido de Fernando Pessoa, é a própria página que o narrador lê, logo no início da trama. Jogo de espelhos, inversão da imagem no confronto entre pai e filho: esta é a chave da narrativa, expressa na perplexidade de Bernardo, o pai, diante de Bernardo, o filho. Perplexidade que nos vem da presença do outro, quando nossos olhos míopes esbarram no desmoronamento de nosso próprio reflexo. Para se reconstruir em essência, será preciso antes ler cuidadosamente o outro. Tal é o trajeto proposto pela personagem que narra.

As referências a Machado de Assis, intertextuais, insinuam Dom Casmurro e Ezequiel, também um pai posto em cheque pela presença esquiva de um herdeiro. Um relato que dialoga com outros momentos da literatura mas constrói, com emoção, sua própria linguagem. Emoção discreta, equilibrada, ao tratar temas ainda tidos como tabus nas letras brasileiras, como a AIDS e as diversas particularidades da sexualidade masculina.

Trecho:
“Nossa coexistência passou a incluir cada vez mais o espaço daquela rua, as calçadas de cada lado e a pista que tínhamos de atravessar. Da minha casa, não podia ver sua janela. Só a entrada do prédio, por onde a gente tinha acesso à escada que conduzia ao segundo andar. Ali, a porta do apartamento de fundos se abria para a claridade, o contraste que Eliane estabelecia para mim. Todas as janelas estavam sempre abertas. E no sábado de manhã a cortina amarela quase não filtrava o sol e eu logo podia ver um ombro ou um braço de Eliane, nu sobre os lençóis. Ou a massa escura de seus cabelos revelando um brilho refletido pela estrela.”

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Adulto: Do Folhetim à Literatura Infantil

DO FOLHETIM À LITERATURA INFANTIL
(Leitor, Memória e Identidade)
Lino de Albergaria
Editora Lê
Infantojuvenil
13 x 21 cm – 112 páginas
1996

Ilustração da capa:
Regina Coeli Rennó

Sinopse:
Este livro aborda a presença, na literatura infantil e juvenil, dos temas da identidade nacional e da memória popular, há muito presentes na literatura brasileira. Anota as semelhanças entre a produção para a juventude e os romances de folhetim do século XIX, através dos receptores (hoje a criança e o jovem; ontem, a mulher) e de seus circuitos de circulação (da imprensa à escola). Outro ponto em comum entre a criação para os jovens leitores e o texto romântico é justamente a valorização da cultura popular e do folclore. A própria literatura infantil nasce desta procura das origens de sua nacionalidade entre os povos europeus, passando ao interesse do folclorista.

Entre nós, Câmara Cascudo classifica estes textos de contos de encantamento, como os que serão reescritos e ilustrados por Ciça Fittipaldi e Ricardo Azevedo.
Toda esta reflexão ganha um sentido pessoal, incidindo sobre o trabalho literário do autor, que tem a noção bem clara de seu receptor específico, quando também trata de identidade e memória.

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Publicado em espanhol (México) – Contando con el corazón

Contando con el corazón
Textos: Lino de Albergaria
Ilustraciones: Mariângela Haddad
Traducción: Beatriz Mira Andreu y Mariano Sánchez Ventura
Edicione: Larousse

Sinopse:

Los textos, cortos de lectura fácil y agradable, con ilustraciones de gran tamaño y muy coloridas, exploran el universo infantil de una manera didáctica y sencilla para ser leídos por padres y maestros e inician a los pequeños en sus primeras lecturas.

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Textos didáticos – Português na Ponta da Língua

PORTUGUÊS NA PONTA DA LÍNGUA
Coleção didática de Português de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental
Co-autoras: Márcia Fernandes e Rita Espeschit
Editora Dimensão – Belo Horizonte
2000

Sinopse:
A coleção Na ponta da língua traz uma proposta inovadora e afinada com as recentes discussões sobre o ensino de Língua Portuguesa. A inclusão dos temas transversais como módulos de organização do livro leva em consideração os interesses dos jovens, o que se percebe através dos textos escolhidos e das atividades propostas, que buscam contribuir para a construção ética dos sujeitos em convívio, numa sociedade democrática.

Os textos apresentam-se articulados nas unidades segundo uma lógica que combina temática e diversidade textual, e criam assim uma composição coesa, investida de sentidos, onde operam relações intertextuais, retomadas e remissões.

As atividades respeitam a variação lingüistica e salientam a importância da adequação da linguagem aos objetivos do locutor/escritor, ouvinte/leitor. Atividades de leitura, de produção de texto e de conhecimentos língüisticos integram-se harmoniosamente no conjunto, seja ativando situações comunicativas do contexto social de uso da língua, seja incentivando a reflexão e a construção de conceitos, através de observação e análise.

Pressupostos teóricos bem definidos e devidamente citados em bibliografia permitem aos professores o reconhecimento das bases que orientam as atividades, para que possam interferir no processo da aprendizagem do qual são mediadores.

Maria Zélia Versiani Machado

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Antologias – Micros Beagá

MICROS BEAGÁ
Lino de Albergaria
Editora Pangeia
Antologia
2021

Números maiúsculos em uma obra ímpar marcam este Micros-Beagá (Editora Pangeia):

270 microcontos
54 autores, com fotos e biografias
Micro-Apresentação e Mini-bibliografia
Ao menos 15 revelações
Cerca de 20 autores amplamente consagrados
Em torno de outros 15 autores já reconhecidos por crítica e público
O organizador é um dos maiores especialistas em microconto do país

Micros-Beagá, sem dúvida, é um marco editorial e uma referência para a literatura brasileira de nossos dias.

Com cinco microcontos, Lino de Albergaria está presente nesta coletânea, intitulada Micros-Beagá, organizada por Rauer Ribeiro Rodrigues e publicada pela Editora Pangeia

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Antologias – Travessias singulares

TRAVESSIAS SINGULARES
Pais e filhos
Antologia organizada por:
Rosel Bonfim Doares
Casarão do Verbo

Sinopse:
E assim é. Há pais e filhos que vivem relações pautadas por perguntas, diálogos e respostas. Mas há também aqueles que nunca se entendem, sendo assim condenados, por eles mesmos, a uma convivência (ou ausência) calada e cruel. Eu penso na Carta ao pai, de Kafka. Ou ainda no inesquecível enfrentamento que se dá entre pai e filho no romance Lavoura Arcaica, de Raduan Nasser… Pais e filhos, taciturnos ou loquazes, têm me interessado ao longo da minha vida de leitor. Jamais esqueço o dia em que li Mar de Azov pela primeira vez. Chovia em Salvador no momento em que eu terminava a leitura do conto e eu sentia que precisava sair do apartamento para extravasar toda a euforia que o texto havia me proporcionado. Fui andar pelas ruas, ébrio de imagens, sem me importar com a chuva.

O conto de Hélio Pólvora representou não apenas o diálogo que por muito tempo quis encontrar na relação com meu pai, mas também a primeira grande inspiração para um dia reunir em livro os textos que agora você tem nas mãos.

Trecho:
Cap. Procurar e perder

Excerto de “Em nome do filho”, páginas 30-37 publicado pela Editora Lê, Belo Horizonte, 1993.

“Quando fui procurar Nado, escolhi de propósito um sábado.
Para mim um dia de folga, para Marília de muito trabalho, pelo menos durante a manhã. Eu queria estar sozinho com Bernardo.
Pensava realmente em levá-lo para a publicidade. O que sempre vi como a minha perdição se mostrava agora o caminho da salvação de meu filho. Já tinha sondado os fotógrafos que prestavam serviço à agência para ver se aceitavam Nado. Mas tudo dependia da vontade dele. E eu gostaria que desta vez Marília não estivesse no meio.

Por isso acordei mais cedo, mal me incomodei com a presença de Marilene, ainda dormindo ao meu lado. A separação também não ia demorar. Entrei no carro meio ansioso, pensando se não ia tirar o menino da cama. Mas preferia acordá-lo. A me arriscar a chegar tarde e encontrar a casa vazia.


Nado tinha acabado de acordar. E pelo visto tencionava voltar pra cama.

– Oi – ele me abriu a porta, com um jeito contrariado.
– Desculpa eu ter vindo tão cedo… – tentei dar uma explicação mas ele me impediu.
– Senta um pouco aí na sala e me dá um tempo.

Vi que ele levou um copo de suco para o quarto. Então achei estranho que estivesse enrolado num lençol O suco era para quem estava com ele.

Nado voltou vestido e notei alguém entrando no banheiro.
Ele veio se sentar à minha frente.

– Parece que a gente está um pouco solene hoje – eu disse.
– É que eu estava acompanhado…
– Você tem uma mãe muito liberal. Marília nem deve se incomodar com suas aventuras.
– Não é bem assim. Na verdade ela não ficou sabendo.

Ela já estava dormindo, quando a gente chegou ontem à noite.
A Marília ainda é um pouco careta… Minha vida sexual, ela prefere não comentar e vejo que ela fica… sei lá, meio chateada com esses lances…

– Pois não é o que ela passa pra mim.
– Mãe é assim, defende sempre o filho lá fora. Mas em casa quebra o pau com ele.”